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A correspondência profética entre a
Beata Elena Guerra e o Papa Leão XIII
sobre o Espírito Santo
(1895-1903)

Elena Guerra, assumindo a sua
missão de chamar ao coração de Jesus todos os fiéis em uma universal
oração por meio da devoção ao Divino Espírito Santo, inicia sua
correspondência com o Papa Leão XIII sobre o Espírito Santo.
A sua intenção ao escrever ao papa e convocar
toda Igreja a Renascer no Espírito, indicando o Paráclito Divino
como fonte de vida e santidade. Aprofunda a necessidade da devoção
ao Espírito Santo e fala "da Crisma Espiritual" ou seja, da
importância de receber o Espírito Santo.
Primeira Carta: 17 Abril de 1895
Segunda Carta: 17 Setembro de 1895
Terceira Carta: 1 de Dezembro de 1895
Quarta Carta: 6 de Novembro 1896
Quinta Carta 17 (15) Novembro 1896
Sexta Carta: 6 de Agosto de 1897
Sétima Carta: 30 de outubro de 1897
Oitava carta:
18 de dezembro de 1897
Nona carta:
6 de setembro de 1898.
Décima carta:
9 de março de 1899
Décima primeira carta:
10 de maio de 1900.
Décima segunda carta:
15 de Outubro de 1900.
Décima terceira carta:
9 de abril de 1903.
A resposta de Leão
XIII à Beata Elena Guerra
As cartas de Elena Guerra a Leão XVII obtêm
êxito positivo.
De fato, à primeira, Leão XIII responde
emitindo para toda a Igreja o Breve Provvida Matris Charitate
(5 de maio de 1895) com o qual se torna obrigatória a
celebração solene da Novena de Pentecoste.
À terceira carta de Elena, o Pontífice responde
com a publicação da Encíclica Divinum Illud Múnus (9 de maio de
1897), que é o documento pontifício doutrinal mais rico sobre o
Espírito Santo.
À nona carta de Elena, tem seguimento ainda a
Carta do Papa Ad Fovendum in Christiano Populo (18 de
abril de 1902), dirigida aos Bispos, aos quais Leão XIII recorda
obrigatoriedade da precedente Encíclica.
Breve
“PROVIDA MATRIS CHARITATE”
5 de Maio de 1895
Do Papa Leão XIII
a todos os fiéis, Saudações e Bênção Apostólica
Digno de previdente
caridade materna é o voto que a Igreja não cessa jamais de
apresentar a Deus, para que o povo cristão, onde se encontre, seja
uma a fé nas mentes e uma a piedade nas obras.
Também nós, que
fazemos às vezes do Divino Pastor na Terra, e nos esforçamos para
seguir suas pegadas, não temos deixado de modo algum negligenciado
entre os católicos este programa; e agora, mais do que nunca,
entendemos que é a hora de promovê-lo junto aos povos que a Igreja
há algum tempo convida a Si.
São sempre mais
claras e evidentes os nossos cuidados e solicitudes, com os quais
começamos e agora esperamos o cumprimento: Aquele, que nós
conhecemos como “Pai das Misericórdias”, cuja obra é iluminar e
guiar suavemente à salvação.
Não fugirá,
certamente aos católicos, a gravidade e a importância do nosso
empenho, do qual dependem além da honra divina, a glória do nome
cristão e a eterna salvação de muitos. Se os católicos quiserem
ponderar com o devido sentido religioso, não poderão deixar de
advertir a si mesmos com forte estímulo e chama de caridade
suprema, que por amor de Deus, não volta atrás, e tudo faz para a
vantagem dos seus irmãos. Realiza-se assim o que nós ardentemente
desejamos: que se unam a nós não somente na confiança de um êxito
feliz, mas também no oferecimento de uma possível busca de ajuda,
aquela ajuda que provém de Deus, mediante uma humilde e santa
oração.
A esta tarefa
espiritual, nenhum tempo nos parece mais oportuno do que aquele no
qual os Apóstolos, depois da ascensão do Senhor ao céu,
recolheram-se e juntos perseveraram unânimes em oração com Maria,
Mãe de Jesus, a espera da Força prometida do Alto e dos Dons dos
Carismas.
Naquele augusto
Cenáculo, e para o mistério do Paráclito na Igreja, já então
concebida por Cristo, nascida com a sua Morte e impulsionada por um
sopro de vida, iniciou-se a feliz missão entre todas as gentes, a
fim de conduzir à mesma fé e à mesma novidade da vida cristã. Em
breve tempo, seguiram-se grandes e insignes frutos, entre os quais
aquela humana unidade recordada pela Sagrada Escritura: “A
multidão dos crentes eram um só coração e uma só alma”.
Impulsionados por
esta consideração, pensamos em convidar, com a nossa presente
Exortação, a piedade dos católicos, para que a exemplo da Virgem
Maria e dos Santos Apóstolos, na iminente Novena de Pentecostes em
preparação, dirijamo-nos concordes e com particular fervor a Deus,
insistindo naquela oração: “Manda Senhor, o teu Espírito criador,
e renovará a face da Terra”. “Emitte Spiritum tuum et creabuntur: et
renovabis faciem terrae”.
Nós esperamos muitos
e grandes dons Daquele que é o Espírito da Verdade; revelador dos
divinos mistérios, segundo a Sagrada Escritura, que conforta a
Igreja com a sua contínua presença e da qual, como fonte viva de
santidade, regenera as almas para a divina adoção de filhos,
crescendo admiravelmente e aperfeiçoando em vista da eternidade. De
fato, da graça múltipla do Espírito Santo, fluem continuamente luz e
ardor, remédio e fortaleza, consolação e repouso, vontade de bem e
fecundidade no bem fazer.
Enfim, o mesmo
Espírito Santo, com a sua força, opera na Igreja. De fato, como
neste Corpo místico, a Cabeça é Cristo, assim o Espírito, com
oportuna imagem, se pode dizer que é Coração. O coração tem uma
profunda influência e por isso, o Espírito Santo vem comparado ao
coração, pelo fato de vivificar e unir invisivelmente a Igreja.
Ora, dado que Ele é
o Amor Subsistente e lhe vêm atribuídas todas as obras de amor,
temos muito que esperar com a sua intervenção diante dos espíritos
do erro e da maldade no sentido de neutralizá-los. Que a união das
almas torne-se mais íntima e se conserve por mais tempo para os
filhos da Igreja, que segundo a exortação do apóstolo, não devem
agir por contenda, mas precisam ter um mesmo sentimento e viver
unânimes em autêntico vínculo de caridade5.
Só assim veremos mais sólidas e florescentes nossas comunidades e
estas constituirão nossa alegria.
Desta exemplar
concórdia entre os Católicos, deste religioso empenho de oração ao
Divino Paráclito, podemos esperar muito a reconciliação dos irmãos
separados, da qual temos cuidado particularmente, para que também
eles tenham os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, participando
conosco um dia da mesma fé e esperança, estreitamente ligados pelo
vínculo dulcíssimo da perfeita caridade.
Além das vantagens
que certamente por esta piedade os fiéis receberão de Deus, àqueles
que responderão com plena disponibilidade as nossas exortações,
gostaríamos de acrescentar do tesouro da Igreja, o prêmio das
sagradas indulgências.
Portanto, aos fiéis
que por nove dias consecutivos, antes de Pentecostes, cada dia
dirigirem, seja em público, seja em privado, particulares orações ao
Espírito Santo, concedemos para cada dia uma indulgência de sete
anos, e para todos os outros dias, quarenta anos. Indulgência
plenária uma só vez em um dos sete dias, no dia mesmo de Pentecostes
ou em um dos oito dias sucessivos, para os que, confessados,
comungarem segundo as nossas intenções. Além disto, concedemos
ainda, a quem rezar novamente nas mesmas condições nos oito dias
depois de Pentecostes, que possam lucrar as mesmas indulgências.
Tais indulgências, aplicáveis por sufrágio das almas santas do
Purgatório, são válidas também para os anos futuros, salvo
prescrições em contrário de costume e de direito.
Dado em Roma,
junto a São Pedro, sob o anel do Pescador, no dia 15 de Maio de
1895, 18° do nosso Pontificado.
Leão XIII
Carta aos Bispos “Ad fovendum in
Christiano Populo”
Reverendíssimo
Senhor,
Com a intenção de
promover no povo cristão, o culto ao Divino Espírito, Sua Santidade,
o Papa Leão XIII, no dia 9 de Maio de 1897, enviava aos Bispos, como
é conhecido por todos, a Encíclica “Divinum illud múnus”, plena de
zelo apostólico e de sabedoria.
Em tal documento, o
Santo Padre, muito oportunamente tratava de diversas coisas sobre o
mistério da Santíssima Trindade e especialmente sobre a presença e a
força do Espírito Santo. Exortava, portanto, o Clero, especialmente
os pregadores, e de modo particular, àqueles que possuem o cuidado
pelas almas, para que transmitissem ao povo, com maior diligência e
amplidão possível, a doutrina sobre o Espírito Santo.
Quanto mais vem
estimulada e revigorada a fé no Espírito Santo, tanto mais
facilmente os cristãos se habituam a amar com mais ardor e a invocar
com mais intensidade o Paráclito, Dom Altíssimo de Deus.
Aproximando-se da
Solenidade de Pentecostes, o mesmo Sumo Pontífice na mesma Carta,
decretava e ordenava que em todas as Paróquias católicas se
publicassem orações em todo tempo da Novena, e se os Ordinários
locais, achassem oportuno, também nas outras Igrejas e Oratórios.
Além disso, foram
concedidas pelo tesouro da Igreja, muitos benefícios e indulgências
perpétuas, que poderão ser ainda lucradas pelos fiéis durante a
Oitava da Festa.
A Sua Santidade
deseja ainda que tudo o que exortou e foi emanado, produza sempre
com a colaboração diligente do Clero, vivos e abundantes frutos para
maior glória do Divino Paráclito!
Portanto, para este
objetivo, te envio a cópia da mesma Encíclica, por mandato do
Beatíssimo Pai, também porque concluímos que muitos interpretaram
que o Decreto sobre a Novena fosse somente referido ao Ano de 1897,
enquanto agora, queremos sublinhar que o que está escrito na
Encíclica acima nomeada, tem um valor perpétuo, seja para a oração,
seja para as Indulgências.
O Sumo Pontífice
recomenda calorosamente a Novena, tanto mais porque se trata de um
fim de extremo interesse, a saber, para que possa maturar o bem da
unidade cristã, para a qual solicita o Santo Padre e que por isto
recomenda esta oração.
Disto, eu fui
encarregado para fazer tal comunicação, da parte do augusto
Pontífice.
O Santo Padre possui
confiança na rapidez dos Bispos e na colaboração ativa do Clero, com
a ajuda de Deus.
Desejo a vossa
excelência os melhores augúrios de todo o coração.
Roma, Da
secretaria da Congregação dos Ritos.
18 de Abril de
1902.
Leão XIII
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